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Reflexo ou reflexão: O espelho é quem manda?

Publicado em 4 de outubro de 2018

O dia a dia dos adolescentes têm algo em comum, os olhos sempre atentos ao celular, a cada notificação uma euforia contida toma conta daquele momento. Essa sensação pode esconder questões maiores do que somente o prazer ao receber uma resposta ou “like” de um amigo próximo.
O fenômeno das redes sociais, com seus likes e selfies, estão, hoje, mais relacionados ao modo de se comportar corporalmente e de se vestir do que a um grande ideário. Cada vez a própria personalidade se cruza com a identidade visual, e esta, por sua vez, é regrada pelo império do corpo.

Everton Cardoso, assistente de alunos do Campus Colombo, lida com casos parecidos quase todos os dias e ressalta que “quando os alunos se veem diante de padrões estéticos ou de felicidade tão elevados e não conseguem por si alcançá-los, se frustram, se entristecem e não se aceitam, acabam por querer ser as pessoas que “seguem” ou “curtem” – e para alcançar tal desiderato, se utilizam de inúmeros subterfúgios, ainda que isso os coloque em risco. O interessante é que os adolescentes fiquem alertas, as redes sociais estão recheadas de “filtros” que melhoram as aparências, mas escodem as evidências, de que precisamos gostar de quem somos e nos aceitarmos, ainda que o trocadilho não seja bom, precisamos que seja bom pra nós. ”

A professora Gabriela Chicuta Ribeiro, que leciona Educação Física no Campus Colombo, destaca a importância da iniciativa das estudantes e afirma que “trabalhar com os nossos alunos/as a imagem corporal é torná-los/as mais críticos/as, para que questionem informações dos meios de comunicação. A iniciativa das meninas foi uma excelente e autônoma forma de conscientização na escola. As adolescentes são as que mais sofrem com padrões impostos pela sociedade em relação aos seus corpos. E, por isso abordamos um assunto tão delicado, mas necessário, nas aulas de Educação Física.”

A psicóloga do Campus Colombo, Paula Nicolau, salienta que “de uma forma geral, tudo que é imposto nos traz prejuízo. A adolescência é um período bastante instável, é um período de construção, de decisões que vão transformar a vida da pessoa. O sujeito está (ou deveria estar) em um momento mais grupal com outros adolescentes, logo, em todo grupo há um padrão de regras e leis que devem ser seguidos para continuar pertencendo a esse grupo como vestimenta, gírias, atitudes, etc. Um padrão de beleza globalmente imposto, em certo nível se torna mais excludente do que qualquer outra coisa por interferir diretamente na vida e no meio social em que o adolescente está inserido. ”

Entrevista |

Convidamos duas alunas do Campus Colombo para bater um papo sobre as ações positivas feitas por elas no banheiro feminino. A pedido delas, que não quiseram se identificar, usaremos nomes fictícios na entrevista.

Maria Julia, 17 anos, e sua colega de turma, Eduarda Franco, 17 anos, alunas do IFPR – Campus Colombo, enfrentam com lucidez uma questão que preocupa pais, profissionais da saúde e da educação: a insatisfação com o próprio corpo. Os cartazes no banheiro feminino demonstram a preocupação das meninas do Campus Colombo. Eles falam sobre a importância de valorizar o próprio corpo, aceitar a si mesmo e desenvolver a autoestima.

Equipe de Comunicação – Qual foi a motivação das ações no banheiro feminino?

Entrevistadas – A princípio começamos com o objetivo de representar a todos. No antigo colégio haviam muitas mensagens pejorativas no banheiro. As pessoas se cobram muito na adolescência pelo corpo perfeito e aparência perfeita.

Equipe de Comunicação – Na opinião de vocês, o que é o padrão de beleza?

Entrevistadas – São padrões inalcançáveis. As meninas ficam doentes usando medicamentos. Tenho em casa uma pessoa que não consegue emagrecer. Essa pessoa não consegue se sentir bem com o próprio corpo. E você recebe essa pressão pelo corpo perfeito através de revistas e filmes.

Equipe de Comunicação – Em contato com meninas e meninos vocês já perceberam essa preocupação excessiva com a aparência?

Entrevistadas – Sim, uma pessoa ficou feliz que a gente colocou os cartazes no banheiro. Até na nossa turma tem pessoas muito bonitas e se acham feias.

Equipe de Comunicação – Algumas dessas meninas e meninos utilizam medicamentos para emagrecer?

Entrevistadas – Sim, existe um medicamento bem famoso, você encontra na Farmácia, e é de acesso livre, não precisa de receita. As pessoas não moderam o uso e tomam em excesso. Eu mesma tomava. No início eu usava porque sofria bullyng e como já tinha problema com a aparência, as pessoas diziam “Nossa! Você está muito gorda, precisa emagrecer, precisa emagrecer”. E isso entra na cabeça e depois você perde o controle. A gente trabalhou bastante com a professora Gabriela, de Educação Física, e vimos muitas coisas, tipo anorexia, bulimia, imagem corporal, gordofobia e padrões de beleza em geral.

Equipe de Comunicação – Qual é a mensagem que vocês gostariam de deixar para as meninas e meninos?

Entrevistadas – Nós queremos continuar colando cartazes. Queremos representar a todos. O objetivo é deixar uma reflexão para que a pessoa não precise mudar o que é para ser aceita na sociedade. Você não precisa ser o que não é. Só precisa ser você mesma.

 

Equipe de Comunicação do Campus Colombo
Entre em contato conosco pelo e-mail: comunicacao.colombo@ifpr.edu.br

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